A luta
pelo fim da contribuição previdenciária cobrada de aposentados e pensionistas
do serviço público voltou ao centro do debate na Assembleia Legislativa do Rio
Grande do Sul. Na tarde desta sexta-feira (10), o Plenarinho ficou lotado
durante a Audiência Pública promovida pela Comissão de Segurança, Serviços
Públicos e Modernização do Estado para discutir o chamado confisco
previdenciário e os impactos da cobrança sobre os rendimentos dos servidores
inativos.
A
iniciativa foi proposta pelo deputado estadual Leonel Radde (PT), servidor de
carreira da Polícia Civil e coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do
Serviço Público. A criação da Frente, inclusive, teve origem em reunião com a
União Gaúcha em Defesa da Previdência Social e Pública.
Representando a União Gaúcha, a vice-presidente da entidade, Carmen Pasquali (APROJUS), integrou a mesa de autoridades e foi a primeira a se manifestar. Em sua fala, resgatou uma luta que atravessa décadas e segue mobilizando servidores em todo o país. A luta contra o confisco previdenciário já se arrasta desde 2006, com a tramitação da PEC 555 no Congresso Nacional. Conhecida como PEC Social, a Proposta de Emenda à Constituição nº 6/2024 tornou-se uma das principais bandeiras das entidades representativas dos servidores públicos. O texto prevê a redução progressiva da contribuição previdenciária incidente sobre aposentadorias e pensões, tema que tem mobilizado entidades estaduais e nacionais, inclusive a União Gaúcha, que vem participando de agendas em Brasília e articulando apoio parlamentar à matéria. "Esperamos que esta audiência pública instaure o debate político conduza a medidas concretas para por fim ao confisco previdenciário", complementou.
Carmen
destacou que a defesa da previdência pública está entre os pilares de atuação
da União Gaúcha, ao lado da luta pela valorização dos serviços públicos e pelo
fortalecimento do IPE Saúde. Esperamos que esta audiência pública instaure o
debate político e conduza as medidas concretas para pôr fim ao confisco
previdenciário, comentou a vice-presidente. Trata-se de uma medida de justiça
para quem já contribuiu durante toda a vida laboral e continua sendo chamado a
contribuir após a aposentadoria, ressaltou.
Durante a
audiência, diversas lideranças sindicais e associativas manifestaram apoio à
PEC 6/2024 e relataram os impactos da cobrança previdenciária sobre a renda dos
aposentados e pensionistas. Entre os argumentos apresentados pelas entidades
está o contraste entre o tratamento dado aos servidores públicos e aos
beneficiários do regime geral de previdência.
A vice-presidente
da União Gaúcha também chamou atenção para os números da previdência. Segundo
ela, enquanto o Estado concede incentivos fiscais à iniciativa privada que
alcançam cerca de R$ 1 bilhão por mês, arrecada aproximadamente R$ 1,2 bilhão
anuais com a contribuição dos aposentados e pensionistas do serviço público.
Outro
destaque da audiência foi a apresentação de dados do Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). A secretária-geral da União
Gaúcha, Kátia Terraciano Moraes (SINAPERS), lembrou estudo que demonstra o peso
da cobrança previdenciária sobre os rendimentos dos aposentados.
De acordo
com o levantamento, um servidor estadual aposentado que recebe proventos
mensais de R$ 5 mil desembolsa cerca de R$ 4.939,22 por ano em contribuição
previdenciária.
Na
prática, os servidores aposentados não possuem mais o 13º salário, afirmou
Kátia, ao destacar que o valor recolhido anualmente corresponde praticamente a
uma remuneração mensal inteira.
O
presidente da AFISVEC e conselheiro fiscal da União Gaúcha, Marcelo Ramos de
Mello, também reforçou o argumento de que há uma diferença significativa entre
os regimes previdenciários. Beneficiários do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS) não continuam contribuindo após a aposentadoria, preservando
integralmente sua renda líquida, observou.
Já o
diretor financeiro da União Gaúcha, Fábio Castro (UGEIRM), enfatizou a
importância da mobilização permanente dos servidores e da participação das
categorias nas ações promovidas pelas entidades representativas.
O
deputado Radde convocou os servidores à luta e lembrou da importância da
próxima terça-feira (14), na Comissão de Constituição e Justiça, quando estará
novamente na pauta a PEC da Data-Base, outra bandeira das entidades.
As
entidades que fazem parte da UG, como a diretora do Simpe/RS, Silvia Tejadas,
também fizeram parte da mesa, juntamente com os deputados Leonel Radde, a
deputada estadual Sofia Cavedon (PT) e, de forma virtual, o deputado federal
Miguel Rossetto (PT).
A
expressiva participação de servidores e representantes de entidades confirmou
que o tema mobiliza o funcionalismo gaúcho. Para a União Gaúcha, a audiência
pública representa mais um passo na construção de apoio político e social à PEC
6/2024 e ao fim da contribuição previdenciária de aposentados e pensionistas,
pauta que permanece entre as principais reivindicações do serviço público.